Um convívio com os nossos primatas, incrivelmente parecidos com o homem!
As grandes ilhas de primatas, com a sua dimensão e complexidade, recriam um ambiente natural, onde habitam chimpanzés comuns (Pan troglodytes), babuínos sagrados (Papio hamadryas) e mandris (Mandrillus sphinx). Esta infraestrutura é composta por três ilhas, com cerca de 1600m2 cada e uma zona de recolhas central que permite um maneio das espécies em perfeitas condições de segurança e de bem-estar animal. Assim, os animais, em condições similares às do estado selvagem, apresentam comportamentos inatos e enquanto embaixadores dos seus congéneres selvagens, sensibilizam os visitantes para a importância da preservação e conservação não só das espécies ameaçadas, como também dos seus habitats.
É neste espaço que a equipa médico-veterinária do Badoca Safari Park estabelece mensalmente um programa detalhado de enriquecimento ambiental em que as ilhas são “enriquecidas” em função das exigências comportamentais das espécies. Todas as semanas são introduzidas novidades estruturais no ambiente ou modificações nas instalações de modo a estimular comportamentos semelhantes a um animal saudável no seu habitat natural. Como exemplo temos a forma de alimentação dos animais que é realizada tendo por base a novidade, variedade e recompensa. O alimento pode apresentar-se escondido, inteiro ou disperso. Assim, sementes e mel são colocados no interior de troncos com orifícios e os animais com o auxílio de paus têm de os retirar para se alimentarem, como acontece na natureza no caso das colmeias de onde retiram o mel e das termiteiras de onde retiram as térmitas de que se alimentam. A variedade é também muito importante para o paladar e por isso integra gelatina, sumo de laranja, frutas várias, iogurte, arroz, ovo cozido ou legumes. Também são colocadas na instalação plantas odoríferas como salsa, coentros ou rosmaninho para estimular o olfato e a curiosidade dos animais.
Os chimpanzés do Badoca Safari Park
A família de chimpanzés comuns (Pan troglodytes), que vive no Badoca Safari Park, é constituída por um macho, duas fêmeas e uma cria: O Jonas, macho dominante que gosta muito de comer cebolas e tomates. A Ema gosta de atirar pinhas e fruta aos visitantes e adora leite; a Flor é irrequieta e malandra e gosta de brincar com as maçãs, atirando-as para fora da ilha e gesticulando ativamente para chamar a atenção; e o Djambow, a pequena cria muito divertida e brincalhona, exibe-se aos tratadores com as suas “macacadas”.
Os chimpanzés são animais muito ágeis e hábeis que precisam de ambientes complexos para fazer as suas demonstrações de força pois têm uma atividade física constante. Estes animais são um ícone de conservação da vida selvagem desde que Jane Goodall iniciou as suas investigações em 1960 na Tanzânia. A importância é que desde então estudos fisiológicos, etiológicos e restos fósseis demonstraram uma incrível similaridade entre estes animais e o ser humano. Os chimpanzés apresentam uma cultura básica, sendo capazes de resolver problemas usando a inteligência abstrata. Têm capacidade de decisão, de empatia e de colocar-se no lugar do outro especulando sobre os pensamentos alheios. Na história da evolução das espécies são nossos “parentes chegados” e partilhamos com estes um ancestral comum. O primeiro primata conhecido apareceu na terra há 70 milhões de anos; os primeiros homínidos (Australopithecus) há cerca de 6 mihões de anos; e os primeiros homens (Homo sapiens) apenas há 50.000 anos. Partilhamos com os chimpanzés aproximadamente 98,4% do código genético.
A sua presença no Badoca Safari Park dá-nos a oportunidade de falar sobre a conservação dos bosques tropicais e o tráfico destes animais para comercializar a sua carne (“bushmeat”), o uso de animais em experimentação biomédica, o tráfico de animais e a própria história da evolução.